Conspiração (?) e Geopolítica

NOTA PRELIMINAR

Meu questionamento é o porquê disso… Antes de descartarem a leitura de imediato por se tratar de “loucura e insensatez”, introduzo e convido a uma reflexão em torno de um eminente movimento geopolítico que esta trazendo novamente a tona o assunto a respeito de “objetos voadores não identificados”, OVNIs ou UFOs.

Ou melhor, como a Hillary Clinton corrigiu Jimmy Kimmel numa entrevista em 2016:

“You know, there’s a new name. It’s unexplained (unidentified) aerial phenomenon ― UAP ― that’s the latest nomenclature”.

(“Você sabe, há um novo nome. É fenômeno aéreo não-explicado (identificado) – UAP – esta é a última nomenclatura”.)

  • – – –

Realmente há um “fenômeno” interessante rolando nas últimas décadas, e considero que poucos têm percebido. Hipóteses conspiratórias consideram que potenciais e significativos avanços científicos, no mercado de energia, imediatamente acabam sendo absorvidos pela indústria de óleo e gás, a fim deste controlar o mercado e a economia global, junto ao sistema financeiro. Por outro lado, o mesmo perfil de hipóteses conspiratórias sugerem que projetos militares ultra-secretos possam estar desenvolvendo tecnologias que desafiam as leis da física conforme aquilo que conhecemos atualmente. Logo, a interpretação extraordinária é que alternativas de energia limpa e/ou de alta eficiência seriam controlados para não permitirem uma instabilização significativa no modus operandi corrente da sociedade e economia global. Até aqui, nada que não soe completamente como uma absurda teoria da conspiração…

No entanto, atualmente há uma emergência interessante sobre o tema UAPs. O porquê? Não faço a mínima ideia, mas isso vem ganhando cada vez mais corpo, e inclusive com investigações científicas mais sérias em andamento. Centenas de “insiders” estão vindo a público e relatando suas experiências, e isso inclui astronautas, militares, pilotos, etc… O ex-ministro da defesa do Canadá, Paul Hellyer, já havia chamado a atenção inúmeras vezes para a importância de se levar a sério a investigação a respeito desses fenômenos, pois mesmo que não façamos ideia do que é, algo está efetivamente acontecendo.

E isso ficou ainda mais latente a partir de dezembro de 2017, quando o jornal New York Times publicou pela primeira vez uma matéria afirmando que o Departamento de Defesa Americano havia investido US$ 22 milhões de dólares num programa denominado AATIP (Advanced Aerospace Threat Identification Program), que seria uma divisão especial do Pentágono, responsável inclusive pela investigação de UAPs (https://www.nytimes.com/2017/12/16/us/politics/pentagon-program-ufo-harry-reid.html).

Há muito tempo que leio e me interesso a respeito desse tema, tão fortemente associado à teorias da conspiração, e sempre fiquei com a pulga atrás da orelha, pois mesmo que o volume de bobagem em relação a isso seja absurdo, sempre houve, na minha opinião, algumas informações pertinentes que sugerem que algo não está claro em relação ao assunto. Qual o objetivo pragmático disso? Não posso tecer comentários… mas sempre me perturbou de alguma forma, e não posso negar.

Vendo as movimentações atuais a respeito do assunto, me sinto compelido a pelo menos incitar alguma discussão a respeito, pois me impressiona perceber que há um tratamento completamente inovador sobre o assunto, e que simplesmente sugere que o “fenômeno” precisa ao menos ser considerado de forma mais séria e investigado com escrutínio científico, e não simplesmente descartado sem um olhar mais criterioso.

Sem me comprometer com o que isso possa de fato significar, questiono se não está na hora de despertarmos nossa atenção para este assunto tão controverso, e termos coragem de removermos as camadas protetoras da “verdade”, conforme já foi sugerido pelo próprio Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar na lua…

Neil Armstrong em 1994 no 25° aniversário da Apollo 11:

Neil Armstrong e as camadas protetoras da verdade…

“Today we have with us a group of students, among America’s best. To you we say we have only completed a beginning. We leave you much that is undone. There are great ideas undiscovered, breakthroughs available to those who can remove one of the truth’s protective layers. There are places to go beyond belief. Those challenges are yours–in many fields, not the least of which is space, because there lies human destiny.”

(“Hoje temos conosco um grupo de estudantes entre os melhores da América. Para vocês, dizemos que só completamos um começo. Deixamos muito a vocês que não está feito. Há grandes ideias não descobertas, avanços disponíveis para aqueles que conseguirem remover uma das camadas protetoras da verdade. Há lugares para ir além da crença. Esses desafios são seus – em muitos campos, não sendo o menor deles o espaço, por que é lá que está o destino da humanidade”.)

O que, na prática, me incitou a expressar essa questão, foi o texto de um físico da equipe da Lockheed Martin (https://www.lockheedmartin.com/en-us/index.html) que li no site do QUORA (link após a tradução). O autor e Ph.D. Ibteesam Reza tem doutorado em Física Aplicada pela Universidade de Michigan, vive em Fort Worth, no Texas, e trabalha com aerodinâmica.

O conteúdo do texto soa extraordinário, tão extraordinário como algumas histórias que tive a oportunidade de ouvir num curso que fiz sobre Geopolítica do Petróleo na Universidade Petrobras em uma ocasião. O contexto geopolítico discutido pelo instrutor do curso me fez refletir muito sobre várias questões de controle e poder, as quais nunca havia pensado, e que simplesmente podem soar como uma teoria da conspiração, mesmo quando detalhadamente analisadas e ainda aparentemente absurdas. No entanto, talvez sejam as formas mais coerentes de explicar determinados fatos históricos. Muitas dessas histórias são discutidas no livro escrito por Daniel Yergin: O Petróleo – Uma história mundial de conquistas, poder e dinheiro.

Considerando algumas potenciais implicações geopolíticas, abaixo, traduzo com algumas pequenas adaptações, o texto publicado no QUORA pelo Ibteesam Reaz (link para o original após a tradução), que ao meu ver soa muito interessante e me faz refletir sobre o que pode estar de fato acontecendo:

QUAIS SÃO AS EXPLICAÇÕES MAIS PLAUSÍVEIS PARA OS PILOTOS DA MARINHA QUE VÊEM OBJETOS HIPERSÔNICOS A 30 MIL PÉS, OBJETOS SEM MOTOR VISÍVEL E ÀS VEZES DESCRITOS COMO UM CUBO DENTRO DE UMA ESFERA?

“Não seja ingênuo e pense que os três eventos USS Nimitz / Go Fast / Gimbal são os únicos nos livros “oficiais”. Luis Elizondo, diretor da organização governamental AATIP (Advanced Aviation Threat Identification Program) afirmou que houve “centenas” de outros incidentes no passado recente que não foram liberados para divulgação pública. Mas não precisamos nos importar – existem milhares de registros governamentais que descrevem esses objetos com capacidade de manobra insana desde os anos 40 (divulgados por meio do Freedom of Information Act – “Ato de Liberação de Informações”). Então, esses objetos avançados existem – não há dúvida sobre isso. E o que podemos dizer, observando que essa tecnologia permaneceu um pouco estagnada desde os dias dos OVNIs (“foo fighters”) durante a Segunda Guerra Mundial:

• Alguém descobriu uma tecnologia de propulsão que não depende de jatos de gás ou emissão de partículas, caso contrário, veríamos rastros. Não há explosão supersônica quando o objeto acelera. Esta é uma sugestão de que os fabricantes estão usando alguma forma esotérica de propulsão (relacionada ao campo gravitacional?).

• Alguém descobriu como fazer mudanças repentinas e retas em todas as direções a velocidades supersônicas; aceleração quase instantânea a partir do repouso; e similarmente, desaceleração quase instantânea de velocidades supersônicas até o repouso. (Eu disse QUASE instantânea – pode até APARENTAR instantânea devido a um tensor métrico alterado. Assim, o tempo aparente para uma manobra não seria o mesmo para os potenciais ocupantes da aeronave.)

• Considerando isso, alguém descobriu como mitigar forças G em grande escala. Um piloto altamente treinado pode suportar cerca de 10G. Mas os objetos descritos pelos militares normalmente forçam seus conteúdos internos (nota: potenciais ocupantes, se houver) a experimentar centenas de G’s. O OVNI observado pela USS Nimitz desceu de 28.000 pés para 50 pés em 0,78 segundos… Ou seja, para referência, 10.900 m/s (= 39240 km/h). Outros “amigos” do objeto (cápsulas de tamanho similar) haviam descido de 80.000 pés para 20.000 pés em poucos segundos.

•Ao mesmo tempo, estes objetos regularmente “brilham” em diferentes cores. Bolas “de fogo” vermelhas e verdes eram os famosos “foo fighters” durante a Segunda Guerra Mundial, seguindo aviões de combate aliados e inimigos durante a noite. Assim, o aparente campo de plasma emitido pelo objeto é uma sugestão de que, de fato, pode haver muita energia sendo produzida, já que as partículas estariam sendo altamente excitadas.

O tenente Graves e seus colegas pilotos disseram ao jornal (link CBSNEWS) que “o vídeo mostra objetos acelerando a velocidade hipersônica, fazendo paradas repentinas e curvas instantâneas – algo além dos limites físicos para uma tripulação humana”.

Entre as grandes teorias da conspiração está posto que, na verdade, estes objetos poderiam ser produtos de projetos negros (black projects) do governo dos EUA. Estes contratos são assumidos como sendo entregues à Lockeed Skunkworks ou à Northrop Phantomworks. Eu trabalho em aerodinâmica na Lockheed Martin em Forth Worth e tenho alguns amigos da divisão Skunkworks aqui. Sempre que eu tentei perguntar-lhes sobre a viabilidade de projetos negros resultando nessas aeronaves, eles afirmam que nossas metodologias de engenharia não estão desenvolvidas o suficiente para construir tais objetos. Além disso, por que os EUA estariam investindo US$ 60 bilhões nos F-35, que mal chegam a Mach 2?

E se o fizéssemos – se tivéssemos essa tecnologia avançada por mais de 60 anos – por que ela não estaria sendo usada na guerra hoje, pelo menos em uma atuação não reconhecida? Por que ela não está sendo usada em qualquer lugar do mundo em outras aplicações tecnológicas? Por fim, como os EUA (ou a Alemanha nazista / União Soviética, se você quiser esse ângulo) desenvolveram esses objetos com uma abordagem de engenharia aeroespacial comparativamente primitiva durante os anos 40? Essa última questão é um grande problema, porque esses objetos (com exatamente as mesmas características e capacidade de manobra) têm sido avistados pelo menos desde os anos 40.

Incidente “Gimbal”

Incidente “Go Fast”

Atualização de 7 de junho de 2019

O tecnólogo de radar mais experiente do USS Nimitz, Kevin Day (também o homem que ordenou a interceptação do OVNI “TIC TAC”) alegou que haviam “centenas” de outros objetos que desceram de 80.000 pés para 20.000 pés para “monitorar” a situação. E apenas um, que desceu até 50 pés, interagiu com os dois jatos (F/A-18).

Em sua aparição no segundo episódio do programa Unidentified, ele diz que a frota chegou até a ilha de Guadalupe, perto da ilha de Santa Catalina (México), sobre a qual eles desapareceram do radar (o que significa que todos haviam submergido no oceano).

Isso realmente se destacou para mim … porque Santa Catalina é um hotspot (“ponto de atração, local quente”) para objetos voadores submergindo no oceano. Luis Elizondo deu a entender que, embora ele não pudesse entrar em detalhes, os militares provavelmente tiveram uma forte presença na ilha, a julgar pelos muitos radares instalados. Assim, ficamos com um ímpeto mais forte para especular que o governo dos EUA realmente pode ter algo a ver com o TIC TAC.

Uma das alegações dos oficiais de baixo escalão é que “homens à paisana” confiscaram dados, isso faz mais sentido agora. Se de fato é esse o caso, devo dizer, a maioria dos engenheiros aeroespaciais, que não estão a par dos detalhes de como funcionam esses objetos, estão sendo feitos de bobos. Por que estamos desperdiçando tanto suor, trabalho duro e dinheiro, quando algum grupo seleto de pessoas literalmente tem tecnologia que está além do alcance da física moderna? O mundo inteiro e sua dependência do poder poderiam mudar… mas, novamente, isso é bom para os poderosos que dependem do petróleo e do gás para controle geopolítico?”

https://www.quora.com/What-are-the-most-plausible-explanations-of-Navy-pilots-seeing-hypersonic-objects-at-30K-feet-objects-with-no-visible-engine-and-sometimes-described-as-a-cube-within-a-sphere-See-link/answer/Ibteesam-Reaz?ch=99&share=1ca607a6&srid=DA03f&fbclid=IwAR1CTH4UeaKc5sW_6yXaEOmGMxcE3mG8hFDhbJZD1P0-2_QKOkaFjvexuzs

UFOS, TEORIA DA CONSPIRAÇÃO, PARADIGMAS E GEOPOLÍTICA…

Dito isso, sempre tive uma atração por teorias da conspiração, um dos motivos é que a maioria são muito divertidas por causa da falta de fundamentação racional para sustentá-las. No entanto, entre mais de 95% de bobagem, sempre acaba havendo uma zona limítrofe entre o raciocínio lógico-científico (e falo de Ciência com C maiúsculo nesse caso) e o salto de fé (comum em praticamente todas religiões).

Julgo que o interesse em me tornar um cientista, desde a época que ainda era apenas um estudante de iniciação científica na Universidade, é o fato de buscar ferramentas que me permitam distinguir até onde podemos nos pautar na razão sem fazermos concessões à nossa tendência natural de assumirmos como verdade uma hipótese que não pode ser fundamentada por fatos verificáveis através da aplicação do método científico e do conceito de falseabilidade discutido pelo filósofo Karl Popper.

Por outro lado, é a curiosidade que nos motiva ir além, e muitas vezes nos incita a avançarmos em regiões não conhecidas e além das fronteiras da nossa zona de conforto.

Sou geólogo e trabalho com pesquisa e desenvolvimento no Centro de Pesquisas da Petrobras (CENPES), com foco em sedimentologia e estratigrafia de alta resolução aplicadas à caracterização e modelagem de reservatórios em ambientes de águas profundas. Durante os quase 13 anos de carreira na Companhia, tive a oportunidade de me envolver em projetos de pesquisa de ponta, envolvendo grupos de várias Universidades e empresas de energia do Brasil e do mundo todo. O que considero um enorme privilégio científico, que quando estudante jamais havia sonhado em alcançar.

Algo que julgo realmente marcante nessa minha curta carreira, é perceber claramente que quanto mais investigamos um determinado assunto, ou seja, quanto mais nos aprofundamos nos detalhes tentando compreender as relações entre os parâmetros envolvidos, cada vez temos mais clareza do quanto somos ignorantes em relação àquele assunto. E imagino que isso deva ocorrer em todas as esferas, sejam nas ciências exatas ou humanas. E isso só reforça e reverbera o que Sócrates teria dito:

“SÓ SEI QUE NADA SEI.”

E não saber é justamente o mecanismo que me incita a ir além, a aprender algo só para concluir que nunca vou aprender o suficiente. Este é o ímpeto que me move.

Independente dos reais motivos pelos quais esse assunto voltou a tona nos dias de hoje, é importante considerar que, caso haja alguma veracidade nas afirmações que estão sendo feitas, principalmente considerando as observações que estes objetos registram visualmente, em dados de radar e sonar, bem como com as imagens obtidas pelas câmeras instaladas nos caças de última geração, as observações sugerem que potencialmente há métodos de propulsão muito avançados, e que transcendem aquilo que conhecemos até o momento.

Se, hipoteticamente, há alguma possibilidade disso tudo ser de fato verdade, será que a divulgação desses potenciais métodos alternativos de energia, aplicados aos ditos sistemas de propulsão observados em UAPs, não poderiam alterar completamente nossa matriz de energia, e consequentemente todo nosso sistema econômico e financeiro, que são diretamente dependentes desse mercado energético?

Qual é o zeitgeist (espírito do tempo) que está incitando toda essa movimentação?

  • – – –

Nesses comentários, há apenas uma minúscula amostra do que vem acontecendo, há muitas informações pertinentes para aqueles que querem se aprofundar nisso.

Abaixo, para os que preferem sair da informação superficial e se aventurar em águas mais profundas, incluo e sugiro alguns links de reportagens e sites interessantes a respeito deste assunto e movimento, mas são apenas alguns links:

SCU – Scientific Coalition for UAP Studies

LAS VEGAS NOW – EXCLUSIVE: I-Team confirms Pentagon did release UFO videos

NEW YORK POST – The Pentagon finally admits it investigates UFOs

EL PAÍS BRASIL – Aumento de óvnis avistados nos EUA leva Marinha a estabelecer protocolo de registro

CENTRAL INTELLIGENCE AGENCY – CIA’s Role in the Study of UFOs

PHYSICS TODAY – Scientific Study of Unidentified Flying Objects, Aliens in the Sky, UFO’s? Yes!: Where the Condon Committee Went Wrong

NATIONAL ARCHIVES UK – This is a brief guide to researching records of UFOs

WIRED – What Is Up With Those Pentagon UFO Videos?

NEW SCIENTIST – France opens up its UFO files

Unidentified Aerial Phenomena – scientific research

POLITICO – Senators get classified briefing on UFO sightings

WASHINGTON POST – UFOs exist and everyone needs to adjust to that fact

Professor de Harvard – Astrofísico Avi Loeb (https://arxiv.org/pdf/1810.11490.pdf)

FORBES – Washington (But Not Trump) Suddenly Taking UFOs More Seriously

CNN – Why pilots are seeing UFOs – 21/6/19

Isso é apenas a ponta do iceberg… Há muito mais informações interessantes, incluindo artigos científicos e publicações a respeito de hipóteses de sistemas avançados de propulsão… mas aí a discussão fica para outra hora.

#aceitaidiota #ttsa #scu #uap

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1 comentário

  1. Avatar de Felipe

    Felipe

     /  27 de setembro de 2019

    Parabéns.

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