Tempo Geológico

A Terra é uma criança diante de um Universo adolescente (cerca de 14 bilhões de anos).

Para nós, seres humanos, ela é velha. Bastante velha! Talvez tão velha, que para a grande maioria das pessoas seja até mesmo difícil imaginar seus cerca de 4,5 bilhões de anos, ou pouco mais, de acordo com algumas estimativas recentes.

Esta vasta extensão de tempo é chamada pelos geocientistas de Tempo Geológico.

FONTE: Graham, Joseph, Newman, William, and Stacy, John, 2008, The geologic time spiral—A path to the past (ver. 1.1): U.S. Geological Survey General Information Product 58, poster, 1 sheet. Available online at http://pubs.usgs.gov/gip/2008/58/
AUTOR: Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS)

Este tempo é impossível de ser medido em unidades de tempo familiares. Como meses, anos, ou mesmo séculos e milênios.

E por que acreditamos que o planeta seja tão velho? Como quantificamos este tempo?

A história do planeta está escrita nas rochas, que são o o registro de intrincados arranjos entre forças físicas, químicas e biológicas moldando desde o formato dos continentes e oceanos, até o tamanho, esfericidade e arredondamento de um único grão de areia, ou dos cimentos que o soldam num corpo sólido, que chamamos rocha.

Alguns séculos de pesquisa, em ciências naturais e exatas, nos levaram às chaves que alimentaram e permitiram o desenvolvimento da ciência geológica.

Especulações humanas a cerca da natureza inspiraram muito tradições e lendas das primeiras civilizações.

As vezes com boas sacadas geológicas:

  • No século 5 a.C., Heródoto, historiador grego, registrou algumas observações geológicas. Após encontrar conchas fósseis em regiões continentais do Egito e Líbia, presumiu corretamente que o Mar Mediterrâneo se estenda muito mais ao sul. Poucos acreditaram nele, a ideia nem perdurou.
  • No século 3 a.C., Eratóstenes (matemático, gramático, poeta, geógrafo, bibliotecário e astrônomo da Grécia Antiga), desenhou um planeta esférico, até calculou seu diâmetro e circunferência. No entanto, o conceito de um planeta Terra esférico estava longe dos preceitos da época, além da imaginação.
  • A apenas cerca de  500 anos, marinheiros a bordo do Santa Maria imploravam a Colombo para retornarem antes que atingissem o “abismo”, além do horizonte, o fim da Terra.

Opiniões similares e preconceitos a cerca da natureza e idade da Terra surgiram e desapareram através dos séculos. Tradicionalmente, a maioria das pessoas acreditava que a Terra era bastante jovem, fruto de uma origem relativamente recente, calculada em alguns poucos milênios, e embasada na bíblia. Certamente ninguém considerava esta idade em milhões ou bilhões de anos.

As evidências incrustadas nas rochas formam a superfície da Terra, a crosta, e também seu manto e núcleo.

Rochas não têm todas a mesma idade, nem perto disso. Parecem mais páginas, de uma longa e intrincada história.

Página após página. E após página.

Rochas se empilham, se interprenetram, se amalgamam, registrando eventos como a lenta deriva dos continentes e o passado da vida no planeta.

No entanto, o registro é incompleto, muitas páginas foram arrancadas e se perderam nas areias do tempo, principalmente as que continham o início da história. Outras estão velhas e manchadas. Difíceis de decifrar.

Por sorte, muitas páginas foram preservadas, e presenteiam o observador atento, com histórias de impressionantes episódios, como a separação e colisão entre continentes, a origem e evolução da vida, e as grandes extinções…

Fatos que certificam um planeta com alguns bilhões de anos de idade.

Consideremos alguns marcos importantes:

  • 4.567 Ga: Formação do sistema solar;
  • 4,54 Ga: Acrescimento Terrestre, bombardeio por corpos celestes;
  • cerca de 4 Ga: Fim do Intenso Bombardeio Tardio por corpos celestes, surgimento da vida;
  • cerca de 3,5 Ga: Início da fotossíntese;
  • cerca de 2.3 Ga: A atmosfera se torna oxigenada, primeira Era Glacial, a Terra se torna uma “bola de neve” (snowball) ;
  • 730-635 Ma: mais duas Eras Glaciais, períodos de “bola de neve”;
  • 542 ± 0,3 Ma: explosão da vida, no Cambriano, abundância nos registros fósseis, início do Paleozóico;
  • cerca de 380 Ma: primeiros animais vertebrados terrestres;
  • 250 Ma: Grande extinção do Permiano-Triássico – cerca de 90% da vida no planeta foi extinta; final do Paleozóico e início do Mesozóico;
  • 66 Ma: Extinção do Cretáceo-Paleogeno – extinção dos dinossauros, final do Mesozóico e início do Cenozóico;
  • cerca de 7 Ma: Surgimento dos primeiros hominídeos;
  • 3,9 Ma: Aparencem os primeiro Australopithecus, ancestral direto do Homo sapiens moderno;
  • 200 ka: Surgimento do Homo sapiens no leste da África Oriental.
Ga (gigaannum = bilhões de anos); Ma (megaannum = milhões de anos); Ka (kiloannum = milhares de anos)

Há duas escalas utilizadas para datar e medir a idade da Terra:

  • a escala de tempo relativo – baseada no empilhamento vertical de camadas de rochas e na evolução da vida; e,
  • a escala do tempo absoluto, fundamentada no decaimento radioativo natural de elementos químicos presentes nos minerais que formam nas rochas.

A escala radiométrica é uma utilização recente, desenvolvida pela Física. E aplicada aos problemas geológicos.

A escala relativa coincide com o desenvolvimento da própria geologia.

E com a origem e evolução de sua pedra fundamental, a estratigrafia.

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